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13/11/2018

Resenha | O Quarto de Azulejos - Tonho França

SINOPSE | COMPRA
Oi, pessoas!
Hoje a resenha é de um livro de poesia que li faz um tempoooo. Estou devendo ela há séculos, mas estava travada para resenhas de livros de poemas, acreditam?

Mas destravei. Antes tarde que nunca, né? Haha. O livro foi concedido pela Editora Penalux, uma editora amor e, por sorte, parceira do blog. Vão lá conhecê-la! Cliquem AQUI.

O Quarto de Azulejos é dividido em duas partes: Sobre a Nudez das Paredes e Olhares Para Além do Dia a Dia. Ao todo são 62 poemas. A poesia de Tonho França, que aborda temas diversos, é íntima, cheia de significados. O poeta abre a porta de seu quarto para que contemplemos o mundo desde sua perspectiva.


Os poemas exalam amor, tristeza, solidão, e falam de eternidade. Nos deparamos com uma poesia que nos deixa um gosto de recordações, de desejo por um amanhã melhor, como podemos ver em "Caminhos" (p.24):

"[...] quem sabe, amanhã, um café, um cigarro/ ou até um tango argentino/  um verso novo, a brisa do mar.../  e me levante mais cedo/ ame mais cedo/ me perceba mais / e até sorria/ colhendo pelas calçadas/ auroras de poesia"

Podemos ver, muitas vez, um eu-lírico desprovido de esperança, mas que ao mesmo tempo quer acreditar "na eternidade do que não vê".

Os poemas de Tonho França cantam as memórias vividas com um gosto de noite e falam das diversas faces do eu-lírico, de uma alma que não é feita de uma coisa só, mas de várias. Eles se limitam, principalmente na primeira parte (Sobre a Nudez das Paredes), à subjetividade da voz que os canta e mostram as cores neutras que compõem sua alma. Não é uma poesia que fala de problemas alheios, mas das aflições do próprio ser, de seus sentimentos a respeito de algumas coisas. Nos sentimos como se o poeta rasgasse o papel de parede de seu quarto e mostrasse o que há por trás dele.


Na segunda parte (Olhares Para Além do Dia a Dia), já não ficamos reclusos à alma, aos sentimentos, do eu-lírico, conseguimos enxergar as coisa lá de fora, é como se ele nos conduzisse a uma  janela e pudéssemos contemplar situações e objetos que se transformam em poesia, tiramos os olhos da sua alma para olhar o que há nas outras.

Aqui, as coisas cotidianas ganham outro tom e os poemas, muitos deles, adquirem uma estrutura irregular, formando, muitas vezes, o objeto/elemento do qual falam. O autor brinca com as palavras, tanto em um sentido estrutural como fonético, construindo poemas visuais, sensoriais. As coisas são despidas do que aparentam ser para mostrar a sua essência.

Realmente vemos as coisas além do que elas aparentam; as pessoas, os objetos, ganham sentidos que só mesmo uma pessoa revestida de poesia poderia ver e, sobretudo, escrever.

A poesia de Tonho transborda alma, é íntima, e nos convida a entrar, de corpo e alma, no Quarto de Azulejos e sentir e ver do que ele é feito.

Livro mais que recomendado. Além da edição linda, a Penalux sempre arrasa, temos vários desenhos de Jurandir Fábio, como esses das duas últimas fotos.

Classificação: 
🕮🕮🕮🕮🕮
Autor: Tonho França
Editora: Penalux
Ano: 2014
Páginas: 110

11/11/2018

Resenha | Uma carta de um diabo a seu aprendiz - C. S. Lewis

SINOPSE | COMPRA
O livro do autor célebre C. S. Lewis já nos chama a atenção por seu título. E um primeiro estranhamento na narrativa é que os papéis são invertidos.

O Pai é o diabo e o Inimigo é Deus. E a verdade é que nós cristãos estamos tão acostumados a chamar Deus de Pai e o diabo de Inimigo que ficamos um pouco deslocados no começo do livro. Mas o trato não podia ser diferente, já que o redator das cartas é um diabo.

Começando pelo nome do redator e de seu sobrinho: Maldando e Vermelindo, o livro é cômico, e essa foi a intenção do autor, ridicularizar o diabo, mas os assuntos são sérios.

"Os seres humanos vivem no tempo, mas o nosso Inimigo os destinou à eternidade." (p.84)

Maldanado (um diabo já formado) escreve instruções a seu sobrinho Vermelindo (um diabo em formação) e suas cartas estão pautadas em orientações para Vermelindo desviar um homem dos caminhos de Deus, que é chamado por eles como "paciente".

Só temos as cartas de Maldonado, que responde a seu sobrinho, e pelo seu conteúdo ficamos sabendo quais as informações e dúvidas de Vermelindo.

Pois bem, a primeira batalha é perdida, apesar dos esforços do jovem diabo, e o homem se torna cristão. Então agora começa a batalha pra que ele seja apenas um cristão superficial, de nome. E para isso várias áreas de sua vida recebem ataques: família, relacionamento, emoções.

Maldanado (um nome que, pelo menos a meu ver, indica certa firmeza, contrapondo ao de Vermelindo, que nos dá a sensação de fragilidade, de alguém "ingênuo" e que precisa de orientação) instrui o sobrinho para desviar o foco do seu paciente para coisas banais, que o distanciem de Deus.

O livro está inserido em um contexto em que a Segunda Guerra Mundial está explodindo e Lewis faz menção a isso na história do homem, mas não de forma aprofundada. A Guerra serve apenas como instrumento para causar terror no paciente, com o fim de que ele tire o foco dos outros e pare de se importar para focar em si mesmo e, assim, desenvolver uma atitude egoísta.

A tarefa de Vermelindo passa a ser evitar que o homem morra, pois no momento em que ele está, se isso acontecer ele irá se salvar, e não é isso que o Pai nas Profundezas (o demônio, o chefe, o maioral) quer.  Deixá-lo viver, portanto, é ganhar tempo  para o cumprimento da missão do jovem demônio e, assim, imagino, se formar como diabo.

Lewis tem uma escrita reflexiva e, às vezes, pelo teor filosófico, um pouco densa pra quem não está acostumado com seus textos. Mas apesar disso, é um livro que flui bem.

As cartas ultrapassam a tarefa de divertir o leitor, pois revelam a forma odiosa (ou pelo menos ilustram) que o diabo opera. São escritas por um diabo, mas à medida que revelam o agir dele, exaltam a soberania de Deus, o seu cuidado para conosco e sua graça e misericórdia. Lewis foi feliz nessa tarefa.

"O que nós queremos é apenas gado que possa acabar nos servindo de comida; ele deseja servos que possam acabar se tornando seus filhos." (p.51)

Amei o livro, cresci espiritualmente com ele e mudei alguns hábitos. É uma leitura mais que recomendada. Sem falar nessa edição lindíssima de capa dura, caprichada, da editora Thomas Nelson Brasil. Eu ia trazer algumas curiosidades, mas o post ia ficar muito longo. Quem sabe depois eu traga ou publique apenas no Instagram. Me contem, já leram o livro ou algum outro do autor?


Classificação:
🕮🕮🕮🕮🕮❤️
Autor: C. S. Lewis
Editora: Thomas Nelson Brasil
Ano dessa edição: 2017
Páginas: 208

06/11/2018

Resenha | Um Dálmata Descontrolado - Índigo

Oi, gente! Depois do post de Halloween, trouxe um bem levinho pra vocês. O livro que lhes vou apresentar é do acervo de escolas públicas, peguei emprestado na Biblioteca da escola que dou aulas. Espero que gostem da indicação. 😍

SINOPSE
Ígor tem 11 anos e quer porque quer um cachorro. Já teve vários bichos de estimação que não deram muito certo pra ele, mas dessa vez ele jura que vai ser diferente.

A Dona da Casa, como chama a sua mãe, não acredita muito que ele vá cuidar do bicho e vai acabar sobrando pra ela. Mas vó Úrsula e Seu Barba, namorado da senhora, confiam no Ígor e não acreditam que ele vá ser irresponsável com um bicho.

Gabriela, irmã mais nova do Ígor detesta cachorro e não o apoia tanto, mas a Dona da Casa acaba cedendo. Então o Conan é adotado!

Só que há um problema: o cachorro é um dálmata e dizem que os dálmatas são difíceis, por isso a mãe do garoto resolve que o animal necessitará de um adestrador, o que Ígor não concorda, mas sua opinião não interessa pra Dona da Casa.

" —[...] Já conversei com donos de dálmatas. Colocando tudo na ponta do lápis compensa. 
— Colocando o quê na ponta do lápis?
—O prejuízo dos móveis que ele vai comer, tapetes, sapatos, colcha de cama, porta, rodapé, perna de cadeira. Com um adestrador a gente evita tudo isso.
—Ele não é um crocodilo!
—É um dálmata, dá na mesma. [...]"

Herculano fica com essa missão e começa sua tarefa de adestrar o animal e Monstro, o melhor amigo de Ígor, tem a ideia de desadestrar Conan.

Eu amo a Índigo, gente, já li Cobras em Compota de sua autoria e ameiii. A escrita da autora é divertida e leve. Ela tem uma imaginação incrível, parece realmente que entra na mente de uma criança ao escrever seus livros. Mas apesar do público designado, Um dálmata descontrolado pode ser lido por qualquer idade. Ele tem algumas ilustrações do Rodrigo José Visca, que não gostei muito, pelo menos não dos traços, mas como não sou nenhuma estudiosa no assunto, deixo só nisso meu comentário sobre elas, haha. Pode ser que outros leitores gostem, né? O livro, que é a continuação de Saga Animal (eu não li o volume 1 e isso não teve nenhum problema pra mim), traz algumas reflexões, principalmente em termos de família, de amar, de amizade. É um livro que dá pra ler em um dia. Nos faz rir muitooo e nos deixa de coração mais leve. Recomendo de mais. ❤

"Lá no fundinho de cada cachorro tem um gene de lobo selvagem. Por isso eles uivam para a lua e precisam correr por bosques e florestas."

Classificação:
🕮🕮🕮🕮🕮💗
Autora: Índigo
Ilustrador: Visca
Editora: Hedra
Ano de Publicação: 2007
Páginas: 168
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