31/12/2016

Para 2017


Olá, pessoas! Como estão?

Hoje resolvi fazer um post diferente do que estou habituada. Passamos por um 2016 muito complicado em todos os sentidos. Nosso país está de cabeça pra baixo, mas não podemos perder a fé de que "Tudo é possível ao que crê." Marcos 9:23. Então, pra esse 2017, eu convido a cada um de vocês que lerem essa postagem a ACREDITAR. Acreditar em Deus, nos sonhos, nas pessoas. E acreditar que depois da tempestade tem um sol lindo que nos espera e que em dias chuvosos e nublados esse sol pode ser nosso sorriso, nossa esperança.

Acreditem com todas as forças e orem, rezem, peçam a Deus (ou simplesmente torçam)em e por dias melhores.
O segredo é acreditar nos seus sonhos e nunca desistir.

Mesmo se parecer impossível, não podemos perder a esperança, ela sempre  vai ser a responsável por grandes realizações.

Alguém sempre necessita do nosso sorriso, e sorrir melhora o dia.

Sim, isso é verdade!

Se expresse, libere o que sente, deixe o outro saber. 

Nunca é tarde para nada. Não se limite!

Ás vezes é preciso dar uma pausa, descansar um pouco, mas nunca, em hipótese alguma, desistir!
Valorize e distribua pequenas atitudes! 



***As imagens foram retiradas do site Siga os balões, menos esta última, a retirei do Pinterest.


Bom, espero que tenham gostado da mensagem. Desejo a todos um 2017 abençoado e carregado de coisas boas. Sejam luz na vida das pessoas e permitam que elas também o sejam na sua vida!
Um abração e Feliz Ano Novo!

27/12/2016

A noiva fantasma- Yangsze Choo


Descrição: Até que a morte os aproxime
“Certa noite, meu pai me perguntou se eu gostaria de me tornar uma noiva fantasma...”
1893. Li Lan é uma jovem que recebeu educação e cultura, mas que vive sem grandes perspectivas depois da falência de seus pais. Até surgir uma proposta capaz de mudar sua vida para sempre: casar-se com o herdeiro de uma família rica e poderosa. Há apenas um detalhe: seu noivo está morto.
Por mais fantásticas que pareçam, as noivas fantasmas ainda resistem até hoje em parte da cultura asiática. A prática, que chegou a ser banida por Mao Tsé-Tung durante a Revolução Cultural, foi muito frequente na China e na Malaia (hoje Malásia) no final do século XIX. O casamento era usado para tranquilizar um espírito inquieto, e garantir um lar e estabilidade para as mulheres que diziam sim a maridos já falecidos. É claro que elas tinham um preço alto a pagar, e com Li Lan não seria diferente.

Li Lan, descendente da família Pan, antes uma respeitada família de comerciantes, mas agora à beira da ruína, é integrante de uma comunidade chinesa em Malaia. E essa comunidade ainda preserva alguns costumes, dentre eles o casamento fantasma. Ao ser confrontada com uma dessas propostas, pela família Lim, uma família muito rica e respeitada, Li Lan se vê em um mundo totalmente diferente do seu.

"Malaia era cheia de fantasmas e superstições, das muitas raças que a povoavam."

Ela é uma jovem linda, atraente e inteligente que tem que decidir entre seu futuro e o de sua família, mas mesmo assim toma suas próprias decisões, ainda que isso custe a comodidade  de seu pai que está atolado em dívidas. 

A jovem sempre viveu em um ambiente entre o fantástico e o real: seu pai, um seguidor das ideias confucianas, não acredita em fantasmas, sua Amah, a senhora que cuida da garota desde que sua mãe morreu, acredita nessas coisas e é bem supersticiosa. Li Lan sempre fica em cima do muro para poder conviver bem com os dois, mas por passar tanto tempo no escritório do pai lendo e cuidando de livros, ela acaba por achar algumas coisas que Amah acredita ridículas. Isso até ter sua própria experiência com esse mundo fantasmagórico, atormentada pelo jovem recém-morto da família Lim, Liam Tian Ching, que insiste para que ela aceite o casamento fantasma. Desde o princípio a jovem se recusou, e depois de conhecer Tian Bai e nutrir por ele sentimentos que nunca havia experimentado antes, ela recusa com todas as forças, mas não é fácil se livrar de um fantasma, então ela e sua Amah se veem obrigadas a tomar medidas drásticas, e uma dessas medidas acaba deixando Li Lan à beira da morte.

"Eu estava sozinha, abandonada sem funeral, porque ninguém sabia que meu espírito errava."


Com o espírito desprendido do corpo, a garota experimenta grandes aventuras no mundo fantasma, mas seu tempo nesta dimensão é limitado, pois o elo com seu corpo pode se romper a qualquer momento e, além disso, esse mundo é bem mais parecido aos dos vivos do que ela imagina, trazendo desafios e perigos para nossa heroína. Ela vai aprender que nem todos os fantasmas, assim como as pessoas, são confiáveis, existem muitos aproveitadores. Também vai aprender que a curiosidade cobra seu preço.

Yangsze Choo constrói um ambiente fantástico que conflui com a realidade e que ao mesmo tempo traz uma série de informações culturais  sobre Malaia e a China. O leitor se vê envolto nessa fantástica viagem conduzido por Li Lan até a Planície  dos Mortos, por onde vaga seu espírito errante em busca de respostas e ajuda. Lá experimentamos as sensações da personagem e nos envolvemos com sua trajetória enquanto ela se constrói e amadurece. É mais que uma história de fantasia ou romance, é uma história, sobretudo, de formação de caráter, crença. Li Lan, que ria de sua Amah, agora sabe que realmente existe um mundo pós-morte, um mundo que esconde muitos mistérios, onde vivem não só fantasmas humanos, senão de outras coisas, como plantas e animais. E nessa exploração, nessa construção de identidade, nossa personagem conhece Er Lang, um espírito misterioso e muito importante para o crescimento dela, pois é impulsionada por ele, pelo que sente, que Li Lan vai tomar suas próprias decisões, vai saber se valer, não só no mundo dos mortos, mas também no dos vivos.

"Abraçando meus joelhos, me lembrava de Er Lang segurando minhas mãos, em silêncio, na Planície dos Mortos. A força de seu toque havia aliviado o terror que eu sentia naquela hora."

Não quero escrever mais para não ficar muito cansativo, só quero lhes dizer que recomendo a obra. É um livro maravilhoso que prende o leitor do início ao fim, além de ser bem construído e possuir uma narrativa atraente que enreda aqueles que se deixam envolver pela história de Li Lan. É incrível como Choo soube desenvolver as ideias, não encontrei nenhuma contradição, ela dá as ferramentas necessárias para que o leitor não se perca. Essa é uma daquelas histórias que nos persegue por muito tempo. 


"[...] eu ultrapassara um ponto que nenhuma pessoa viva deveria ultrapassar."



Classificação:

Autora: Yangsze Choo
Editora: DarkSide
Ano: 2015
Páginas: 360

19/12/2016

A Mansão Hollow- Agatha Christie


Um inofensivo convite para almoçar na Mansão Hollow logo se transforma em mais um caso a ser desvendado por Hercule Poirot. A cena do crime parece um tanto artificial: o corpo de um homem agonizando na beira da piscina, sua mulher logo ao lado segurando um revólver, e ainda três testemunhas. Seria na verdade uma encenação, uma brincadeira de mau gosto para provocar o detetive? Infelizmente, para a vítima, não.
Indo contra todas as evidências, Poirot não demora a descobrir que a arma que aquela mulher tinha nas mãos não era a mesma que matou seu marido. O que aconteceu, então?


Era pra ser um final de semana como qualquer outro. Todos, os convidados e os anfitriões, se divertiriam e na segunda-feira voltariam à rotina de suas vidas. Isso era o que se esperava, mas não foi isso o que aconteceu.

Como sempre faziam, Lucy e o marido Henry Angkatell, convidaram pro fim de semana na mansão Hollow Midge Hardcastle, uma jovem que faz parte da família, Henrietta Savernake, uma artista plástica talentosa e prima de Midge, o sobrinho David Angkatell, Edward Angkatell, primo de Lucy, o amigo e doutor John Christow juntamente com a esposa Gerda, além do detetive Hercule Poirot, um gringo que mora pelas redondezas. Depois aparece também a atriz Veronica Cray, uma peça importante nessa jogada.

Achei muito interessante a figura de Lucy, não há como não se apaixonar por ela, ao mesmo tempo que ela expressa uma ingenuidade, uma doçura, é uma mulher muito inteligente, é um personagem ambíguo, que diz e não diz. Não gosto de destacar personagens isolados quando escrevo uma resenha, mas nesse caso quis fazê-lo porque Lucy Angkatell é um dos personagens que mais me cativou, então não poderia deixar de falar dela. <3

"Eram o prazer e a ingenuidade infantis de suas ações que desarmavam e anulavam as críticas. Lucy não precisava fazer nada além de abrir aqueles grandes olhos azuis, estender as mãos frágeis e murmurar "Oh! mas eu lastimo tanto...", e o ressentimento logo desaparecia." (p.8)

“A mansão Hollow” trata de um assassinato que acontece na propriedade da família Angkatell. Desde o começo o narrador já vai nos deixando pistas de quem será a vítima, mas se você não é um leitor observador, não vai perceber. E o interessante é que todos os personagens têm motivos para cometer o assassinato, de uma forma inteligente Agatha planta a semente da acusação em cada um deles, fazendo o leitor duvidar de cada um, assim como duvidará o detetive Poroit, o investigador desse caso misterioso.

Todos parecem estar guardando algum segredo. Em alguns personagens, esse peso de incriminação é mais forte, em outros, mais fraco. E à medida que avançamos vamos descartando alguns e ficando com os que mais parecem suspeitos. 

Só quando você descobre o assassino é que vê que desde o começo o narrador deixava algumas pistas, algumas pegadas as quais um leitor atento deveria segui-las.

"[...] mas os olhos, inspetor Grange, não são testemunhas dignas de confiança. [...] - Os olhos veem, às vezes, o que se quer que eles vejam." (p.171)

Confesso que duvidei de quem não deveria e não prestei atenção no verdadeiro homicida, porque tinha alguém que o estava protegendo. Sou péssima para investigação, mas o romance policial é um dos gêneros que mais gosto porque ele é desafiante, coloca o leitor pra trabalhar juntamente como o detetive.


Enfim, gente, amei muito o livro e o recomendo. <3


Classificação:
Autora: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014
Páginas: 256

17/12/2016

É possível lutar com outras armas

Projeto Favelagrafia/ Foto: Anderson Valentim

É possível lutar com outras armas,
Contrariar as estatísticas,
Surpreender as expectativas,
Curar feridas com sorrisos.


Dizem que somos produto do meio,
Pode até ser… Mas se o contexto não for bom
Temos a opção de sermos instrumentos de transformação,
Exemplos de superação!


Quantas histórias se repetem na favela, nas vielas, no asfalto?
Quantos conseguem desconstruir
As mentiras contadas sobre o tom da sua pele?


É preciso ter fé!
Olhar para as circunstâncias e decidir fazer diferente…
Você é capaz. Somos todos capazes.
ASSINATURA-ANANZA-FIGUEIREDO1

Esse é um poema que nos faz acreditar que é possível uma mudança, o pouco que fizermos será muito. Um gesto humano diante de toda a animalidade que tornou nossa sociedade fria, pode fazer muita diferença.  Compartilho esse poema do blog da querida escritora carioca Ananza Figueiredo, dona do livro "Minha vida contada em poesia". Para saber mais sobre Ananza ou seu livro, acessem o blog aqui.

Um abração!

13/12/2016

O Corvo- Edgar Allan Poe

O corvo, escrito em 1845, é um poema do escritor estadunidense Edgar Allan Poe que traz a temática do romantismo, mas com o cenário sombrio que tanto caracteriza a narrativa do autor. A versão que analisei é a traduzida por Fernando Pessoa, que foi a que gostei mais. 

Há no poema uma repetição de palavras e estruturas, mas Poe não se preocupa com isso; elas estão ali para um determinado fim e provocam uma musicalidade triste. Através do poema, o eu lírico canta seus "ais" de tristeza pela perda da amada. 

Se pinta um ambiente escuro e denso, cheio de mistérios pelos tomos antigos que lê o protagonista.
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais [...]
Esse "vagos" refere-se a algo que não tem autoria, que é profano. São desenhadas pelo fogo "sombras desiguais", como espectros a vigiar. A paz é descrita como "profunda e maldita", até porque a tranquilidade é um purgatório para o eu lírico que sofre terríveis tribulações pela morte de sua amada. E a dor e o sofrimento dele é alongada pela "noite infinita".

Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Depois que ele pronuncia "o nome dela", o nome de mulher que ama, aparece o corvo, que representa a morte que insiste e insiste, sendo descrito como algo de tempos ancestrais, claro porque a morte está desde que existiu vida na Terra.

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.


Atena é conhecida na mitologia grega como a deusa da arte da guerra, imbatível nas batalhas, e é bem revelador o fato de o corvo pousar bem ali. A morte é imbatível porque faz parte do ciclo da vida, é uma fase pela qual todo ser humano passa e passará, não há como fugir. Ela chega com ar solene e lento e sem cumprimentar.

E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

No começo que ele vê a ave, diz que ela é de bons tempos ancestrais, mas depois, talvez porque percebeu o significado do corvo, afirma que é de maus tempos ancestrais, pois ela cravava os olhos fatais em sua alma.

"A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".


"Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!
"Disse o corvo, "Nunca mais".

E em um momento de agonia, de profundo pesar, o eu lírico implora ao corvo que lhe dê a esperança de que sua alma será alentada no mais além da vida e que voltará a ver sua amada algum dia e a resposta do corvo é "Nunca mais". Há aqui uma negação da transcendência, uma não crença em vida após a morte, o que acaba por desalentar e aumentar o sofrimento do eu poético, que tem de suportar a dolorosa presença do corvo que permanece solenemente pousado nos seus umbrais, demostrando que sua batalha é perdida.

E a minhalma dessa sombra que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Esse é o destino do eu lírico romântico, a presença constante da dor, nesse caso causada pela morte da amada, e o corvo vai representar isso, essa dor para a qual não tem remédio nem mesmo na própria morte, é um sofrimento contínuo.

11/12/2016

Amor à moda antiga - Fabrício Carpinejar





Em seu aniversário de 43 anos, Fabrício Carpinejar ganhou de presente uma velha máquina de escrever Olivetti Lettera 82 verde-esmeralda. Desde esse dia, ele se dedica a escrever nela poemas de amor e a guardá-los como um inventário de seus sentimentos e emoções ao longo de sua carreira. Pela primeira vez, a Belas-Letras publica esses poemas exatamente como os originais foram enviados à editora, em maços de papel despachados pelos Correios, sem nenhum tipo de correção ortográfica, edição ou retoques, inclusive com as próprias anotações à mão feitas pelo próprio Carpinejar. Todos os textos de Amor à Moda Antiga (inclusive este) foram originalmente escritos em máquina de escrever. O resultado é um livro orgânico, singelo e apaixonadamente imperfeito, exatamente
como o amor é.
"Quem me ensinou a amar
não gostaria que eu usasse
o que aprendi com outras.
amar é desamar."

Amor à moda antiga” é um livro curtinho, mas intenso e original. Seu título se refere à forma de amar, esse amor que se mostra e que se quer sentido. Cada poema, seja ele pequeno ou grande, está cheio de profundidade. Há sentimento em todos eles que falam do nó que é o amor, dos desamarros e amarros da vida, da saudade do ser amado, da importância de dizer o que sente e não somente o que pensa, da efemeridade que é viver, da fragilidade que é estar respirando. Eles passam do amor ao sofrimento, e vice e versa, num virar de páginas. Há um toque de sensualidade em alguns, em outros é mais escancarado, mas nada perto do vulgar. Ás vezes o amor aparece da forma mais simples, às vezes, personificado, vestido de um objeto, de uma sensação.

Imagem do blog "Desbravador de mundos".
Os poemas estão escritos em versos e rimas livres e em letras minúsculas. Achei muito interessante isso de os textos não ter sido revisados, é como se pudéssemos ver Fabrício em pleno ato de composição. Aqui e acolá há palavras riscadas, outras substituídas. E os rabiscos que pra muitos podem parecer feios, pra mim se parecem como uma parte dos poemas, não como algo exterior, mas algo que está imbrincado no significado deles. Não são somente poemas jogados em uma folha e entregues ao leitor; pode-se perceber, através do que se parece descuido, o ato mesmo de escrever. A escrita fala de tudo isso que destaquei no primeiro parágrafo, mas, sobretudo, ela fala de si. Esse amor, que é o centro dos poemas e que se mostra pela escrita, é também o ato de compor. Ele se desnuda e mostra sua essência. Se pinta na poesia de Carpinejar não somente uma imagem do pessoal, biográfica, senão uma imagem poética. Vejo em "Amor á moda antiga" uma poesia que chama a atenção para si mesma e, à medida que se constrói formalmente, se despe e mostra seu interior. É por isso que além de ler sentimos cada palavra, como tinta que colore nossa alma dos mais diversos tons. 

Bom, foi isso o que achei do livro. Creio que dá pra perceber que o recomendo só pelo meu comentário, não é? Hahaha. Não deixem de ler essa maravilha e de comentar o que lhes pareceu. Gostaria de saber o que vocês acharam dele e da resenha, ok? 
Um abração, meus queridos amigos leitores! 💗

"Só é livre quem não ama.
amar é nascer de novo
com o mesmo desamparo,
sem direito a escolher o nome
os pais, a casa.
é assumir as consequências 
de um destino emprestado."


Classificação:
Autor: Fabrício Carpinejar
Ano: 2016
Páginas: 104
Editora: Belas Letras

06/12/2016

Complete a Frase

Imagem do blog "Encanto para meninas".

Há um tempinho fui indicada pela Cecy, do blog
Mundo Literário da Cecy e pela Sara, do blog Coisas a serem ditas pra responder esta TAG. Eu gostei bastante pelo fato de que através dela posso mostrar um pouquinho mais sobre minha pessoa. Há tanto de mim em cada resenha que escrevo, já que somos nossos pontos de vistas, nossas opiniões, mas, digamos, agora posso falar de mim de uma forma mais direta. Vamos lá!

REGRAS:
Completar todas as frases;
Repassar para 10 blogs;
Marcar quem te indicou;
Comentar com o link de suas respostas.




1 - Sou muito...faladeira, kkkk, isso mesmo, falo pelos cotovelos. Apesar de ser tímida, falo bastanteeee, ainda mais quando pego confiança com a pessoa.



2 - Não suporto...maldade. Seja com humanos, seja com animais. Fico doente por não poder fazer nada. :(




3 - Eu nunca...confesso meus sentimentos primeiro! Sou muito tímida, como já disse anteriormente, então, pra poder eu me abrir, o cara tem que me falar o que sente primeiro, kkk.




4 - Eu já briguei...com uma colega quando tinha uns 11-12 anos, mas nunca briguei de tapa ou algo assim, detesto barracos, kkk, então foi só discussão mesmo, porque sou do tipo que, apesar de sempre preferir a paz, não engulo as coisas. Tento me controlar ao máximo, mas se me incomoda, eu acabo desabafando pra pessoa. Só que pra eu me estressar com alguém tem que me fazer muita raiva, então, de boa. :)


5 - Quando criança...tomava tanto banho de chuva! Nossa, é a melhor sensação! Eu amava sair correndo enquanto ficava toda ensopada. Que linda recordação.



6- Nesse exato momento...
estou pensando "quando será que o professor vai postar a nota?"



7 - Eu morro de medo...de não tirar nota boa na prova que fiz.


8 - Eu sempre gostei...de ler. Livros são uma das melhores invenções do homem! Inclusive deixo aqui meu agradecimento ao ser humano exuberante que teve essa brilhante ideia de criar a prensa, graças a ela os livros puderam ser difundidos, então, senhor Johannes Gutenberg, muito obrigada!



9 - Se eu pudesse...acabar com a maldade do mundo, eu acabaria! (Sei que dizer isso não adianta muito, mas é o que sinto).




10 - Fico feliz quando...me mandam mensagens, me ligam, só pra dizer "oi, como você está?" É tão bonitinho ^^




11 - Se eu pudesse voltar no tempo...
não sei o que faria, porque se eu tentasse mudar algo não seria quem sou hoje. E sempre cometemos erros e acertos, então prefiro não ficar me lamentando pelo tempo perdido, antes, tento
tirar o máximo proveito do aqui e agora.





12 - Adoro...pessoas que observam (e valorizam) os mínimos detalhes, ou seja, quando prestam atenção em você. Pessoas assim me conquistam. ❤



13 - Quero muito viajar...toda a América Latina! Meu sonhooo! Se Deus quiser, lograrei! 😃




14 - Eu preciso...primeiro trabalhar, depois, começar a economizar para poder cumprir o item 13, kkk



15 - Não gosto de ver... violência. Nossa, isso me destroça. Na verdade ando bastante destroçada com a quantidade e o tamanho da maldade das pessoas. Sei que já falei disso antes, mas preciso reforçar. ☹




Blogs que indico:



*Todas as imagens foram retiradas da internet.

O que acharam das minhas respostas? Quero saber a opinião de vocês. ^^ Um beijão!
😗

08/10/2016

Branca dos Mortos e os Sete Zumbis e outros contos macabros- Fábio Yabu


Em 'Branca dos Mortos e os Sete Zumbis', Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufemismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os onze contos que compõem Branca dos Mortos e os sete zumbis formam uma narrativa não-linear que culmina num desfecho aterrorizante. A obra ainda conta com as ilustrações de Michel Borges, que acompanha o autor desde seus primeiros projetos. As ilustrações de Michel homenageiam os desenhos clássicos dos contos de fadas, com toques sombrios, e complementam a atmosfera sinistra e misteriosa criada por Yabu.
1. Branca dos Mortos e os Sete Zumbis, retrata a história de Branca de Neves, mas com uma pitada de terror. A escrita é humorística, o que tira um pouco a sensação de medo. É narrada em 3ª pessoa do singular e conta como Branca deixa de ser a indefesa menina que conhecemos no conto de fada infantil e passa a ser uma jovem que sabe se defender dos perigos e que não é nada piedosa com seus inimigos. Após ser esquecida pelo pai, que a culpa pela morte de sua querida e amada esposa, ela foge para a Floresta maldita pois a odiosa madrasta, a mesma bruxa que deu uma maçã envenenada para a mãe da Branca, a quer matar.

Pela primeira vez desde que nasceu, a sorte da princesa de pele branca como as órbitas de um defunto, os lábios vermelhos como sangue e os cabelos pretos como as penas de um corvo, parece finalmente mudar. Mas é só aparência mesmo.  Branca encontra na Floresta uma pequena casa que parece abandonada e estranhamente tem  sete pequenas camas. E nesse ponto pensamos que o conto vai seguir com a mesma história com a qual já estamos acostumados, mas é aí que tudo muda e entendemos o  por quê do título.

A madrasta de Branca a encontra e lhe oferece uma maçã envenenada, a fim de matar a enteada, mas a jovem esperta e perspicaz entende a situação e dá uma boa surra na velha bruxa. Depois chegam os anões zumbis, também conhecidos como mineradores, pois trabalham numa mina e tratam de comer as pessoas que passam pela Floresta, e tentam a todo custo comer a menina, mas ela dá cabo a todos, mas, como são zumbis, eles se recompõem e voltam à tarefa de matar Branca. A madrasta, que já foi mordia pelos zumbis e agora é um deles, acaba mordendo a enteada, que a sua vez começa o processo de putrefação do corpo, mas antes que seu corpo se transforme numa massa nojenta e podre como os dos outros, ela come a maçã envenenada para parar o processo. Mas a história ainda não termina aqui e deixo que vocês descubram por conta própria.

Ilustração do livro. Imagem da internet.
2. João e Maria e Outros: são abandonados na Floresta pelo pai a conselho da odiosa madrasta. E como no conto que conhecemos, o inteligente João tem a ideia de marcar o caminho de volta a casa com pedrinhas brancas (desta vez ele foi inteligente mesmo, marcou com pedras, haha). Mas como já se sabe, a Floresta guarda muitos medos e monstros, são raras as pessoas que vão lá e conseguem voltar com vida, ainda mais com os sete mineradores vivendo nela. O que posso dizer é que a madrasta e o pai vão ter o que merecem, enquanto que as crianças...Bem, leiam e descubram.

3. Os Três Lobinhos: Já sei o que devem estar pensando, mas já era hora de renovarem o contrato e convidarem outros personagens para protagonizar o conto, não acham? Desta vez os papéis se invertem e os maus da história são os porcos e os homens, que em muito se assemelham.
Esta é a história de três lobos corajosos que se rebelaram contra os deuses e um deles muda o destino cruel e injusto imposto à raça. Acho que essa é a história menos macabra do livro
.

4. A Vendedora de Fósforos e o Vingador: é uma história triste de pais cruéis que diante da fome abandonam seus pobres filhos na Floresta maldita. No caso desta é um pouco diferente, pois o pai não a abandona, mas obriga a filha a ir vender fósforos em meio a um frio insuportável. Quando a pobre menina, a vendedora de fósforos, morre congelada, há alguém que arma um plano para se vingar daquele homem cruel e dar uma lição nos seus vizinhos, assim ninguém se atreveria mais a abandonar os filhos. Todos pensam que o vingador é um fantasma, mas na verdade ele é só pequeno, tão pequeno quanto um Polegar.
5. Cindehella e o Sapatinho Infernal: Gente, que carnificina é essa? É uma mudança drástica do conto infantil que conhecemos, falo daqueles da Disney, claro. Depois da parte que Cindehella vai pro baile, tudo se transforma num pandemônio. O que era uma menina doce, meiga, se torna em uma jovem calculista e fria. Sua fada madrinha (maldita) é uma bruxa que depois cobra muito caro pelo feitiço que permite a jovem ir deslumbrante ao baile. Vocês terão uma supresa no final. Leiaaaam!

6. A Confissão: Uau! Trata-se de Pinóquio e seu criador, seu pai Gepeto. Este é um conto muito triste e deprimente. Pinóquio se transforma num rapaz malvado capaz de cometer todo tipo de atrocidade pra chamar a atenção do pai. Como todos os contos, tirando a parte da carnificina, claro, pois maldade nunca vai justificar nada, servem para reflexão de muitas questões que implícita e, às vezes, explicitamente, são colocadas em pauta.

7. A Bela Incorrupta: esta história se baseada em aspectos da do Frankenstein. Um jovem estudante de medicina, Robert Phillips West, tem uma obsessão por descubrir o segredo da morte e/ou da vida. Tomado pelo desejo de penetrar neste âmbito incerto, o jovem desenvolve várias pesquisas e gasta toda a fortuna deixada pelo pai em intentos de reanimar cadáveres há pouco tempo mortos, e ele conseguiu alguns resultados, mas não foram suficientes para fazer um defunto reviver. Cada vez mais envolvido no projeto, Robert é tido como louco por muitos cientistas e, principalmente, pela Igreja, que vê seu projeto como uma loucura, pois não seria possível reviver um corpo, pois além dos órgão vitais, ele está composto de uma alma, e esse elemento não pertence ao plano terrenal. Mas, com todos os obstáculos, Robert continua na sua pesquisa até que encontra o corpo de uma jovem chamada Bela Incorrupta -justamente por seu corpo não se decompor mesmo ela tendo supostamente morrido há mais de cem anos- e o rouba de uma esquife onde era conservado para fazer experimentos.  O corpo deixa o médico intrigado, pois conserva uma aparência jovial e vital, é como se a moça estivesse apenas dormindo. E mal sabe ele que a causa da morte da jovem foi uma maçã envenenada. Leiam e descubram como termina este conto. ;)

8- O Monstro: este é o único conto contado em versos. A estrutura dele é totalmente diferente dos anteriores e se trata de um poema que tem dois narradores. O primeiro é o que conta, como se fosse o escritor da história narrada, mas em alguns momentos ele cede sua voz para o monstro com quem teve um encontro enquanto lia um livro profano. O terror do conto está nas descrições que o narrador faz do personagem, que é confundido como uma criatura infernal por ser tão feio. O narrador deixa claro que se baseou no poema O Corvo, de Edgar Allan Poe
"E dos versos do Corvo de Allan Poe
Fiz manuais para estes que testemunhais[...]"

Ademais das características formais, Abu Fobya vai tratar da mesma espécie animal que Poe tratou no conto, e você, com certeza, se surpreenderá ao descobrir o que tanto o narrador teme, qual o monstro que tanto o assustou.

9- O Cemitério: confesso que não sei muito o que falar desta história. Apenas direi que trata-se de uma personagem que já percorreu outros contos, a Chapeuzinho Vermelho. Este é um conto macabro, nojento, eu diria. Não o achei tão rico como os outros, é um pouco mais fraco em aspectos de construção.

10- Samarapunzel: esse é um daqueles textos que quando você termina de ler, diz "nossa, o que foi isso?". Acho que este é o conto mais surpreendente e assombroso do livro. Se o da Cindehella foi uma carnificina, esse é uma carnificina ao quadrado. Como o título indica, a personagem principal é a Rapunzel, só que no conto tem toda uma explicação pelo seu nome ser assim, Samarapunzel. No início, a história sigue o mesmo rumo da que conhecemos, claro que com características diferentes, mas o rumo é parecido. Só que na parte da relação da jovem com o príncipe, que a descobre por sua bela voz e sobe até a torre onde ela é "guardada" pela madrasta, é totalmente diferente da pintada pela Disney; não tem nada de inocente aqui. E a má da história não é a madrasta, que na verdade foi uma mãe. Samarapunzel é um fruto de uma  maldição, ou melhor dizendo, quando grávida, sua mãe desejou os rapunzéis da vizinha e seu marido para satisfazer o desejo da esposa roubou enquanto a dona estava distraída e deu pra mulher comer, mas mal sabiam eles que a plantação era tão vigiada por uma mulher vestida de branco por proteção de quem se aproximasse, pois escondia uma maldição antiga e muito perigosa.
Quero destacar um detalhe muito interessante deste conto, ele é narrado como se seu contador fosse os irmãos Grimm (Wilhelm e Jacob Grimm), sendo o narrador o Wilhelm. Em uma certa noite, seu irmão Jacob aparece em sua porta extremamente assustado por uma história que ouviu, a de Samarapunzel. A pessoa que lhe contou lhe deu 7 dias pra repassar, se isso não fosse cumprido, ele morreria. Pois bem, ele vai e conta a Wilhelm, que por sua vez a escreve para também não morrer. Esta foi uma das histórias mais perturbadoras do livro e a que realmente me deu medo. Mas além de medo, eu senti fascínio pela maneira como foi construída. Ela não só causa medo, como também revela algo.

Mas se acaso as palavras de Jacob forem verdadeiras, e eu não ouso dizer que não, e por uma terrível infelicidade chegaste até estas linhas, já sabes o que tens que fazer se quiseres viver.
W. Grimm
Berlin, dezembro de 1859.

Esse algo é a perpetuação dos contos, pelo fato de ter essa tradição de ser passado de geração a geração, ele acaba se perpetuando no tempo e o livro de Abu está repleto de referências que remetem à tradição dos contos, que era oral, portanto só podia sobreviver ao tempo se fosse repassado. Então, esse trecho que transcrevi, mais do que causar medo e mexer com o psicológico do leitor, ele revela a magia das lendas tão contadas e conhecidas e é um pedido para não morrer, para que o leitor não a ignore.

11- O Fim de Quase Todas as Coisas: e estamos quase no fim desta resenha, haha. Esta é a história das histórias. Estamos diante do nada. Isso mesmo, diante de um planeta que já não tem mais um único habitante e não há quem se lembre deles, apenas Charon (que na mitologia grega é conhecido como um barqueiro de Hades que carrega as almas dos mortos).Todos desapareceram da face da Terra. Enquanto Charon  observa esse vazio, se aproxima dele uma ninfa curiosa. Ao avistar uma casa, a única coisa que existe nesse planeta desolado, ela pergunta que homem construiu aquela beleza, e olha a resposta do barqueiro:

“Homem?”, riu Charon. “Não foi um homem quem construiu esta casa. Foi um porco.”
E o que podemos interpretar deste último conto e desta frase? Na minha opinião, o que ele quis dizer é que ainda que se passem gerações inteiras, porque pessoas e coisas se acabam com o tempo, as histórias dessas pessoas permanecem. Mais uma vez o autor exalta o valor do conto e, consequentemente, da literatura. A casa feita pelo porco remete à lenda que conhecemos. Ainda que seus donos morreram, ela continuou lá. Na verdade, pra mim, é uma metaforização do ato de contar e de escrever, que revela que mesmo que se acabe o homem e até o planeta como o conhecemos, em algum lugar ou em algo sua história vai ficar registrada. Porque os contos, ainda que mudem e evoluam com o tempo e por ter o caráter de ser passado de geração em geração, eles não morrem e são eles o que vai revelar a existência dos humanos, porque também somos feitos de sonhos.
Ah, outra coisa interessante é que a Floresta aparece como um fundo, como cenário da maioria das histórias contadas, ela adquire, portanto, um caráter de personagem, porque exerce certa influência no desenrolar dos contos.

Classificação:
Autor: Fábio Yabu
Ano: 2013
Páginas: 208

28/09/2016

Motivo- Cecília Meireles

Imagem retirada da internet.

Eu
canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.



O poema, de rima consoante, fala, como o título indica, dos motivos de escrever, de compor. O poeta é classificado como um ser completo, por isso escreve. Sua consciência de que a vida é passageira é um dos motivos que o faz cantar. O verso "Irmão das coisas fugidias" enfatiza a ideia de que o poeta é aquele que vê o que ninguém mais consegue enxergar ou que não consegue lembrar por estas coisas serem fugidias, mas o poeta, com o ato de escrevê-las, as firma e as torna visíveis.

O poeta, na condição de um ser humano, passa, mas o que ele escreve "tem sangue eterno", porque a poesia, assim como a literatura, tem esse poder de permanecer no tempo. Este poema é na verdade uma encarnação, um representação do ato de escrever, que fala do poeta e de seu ofício, classificando este último como uma elevação da alma, pois, ao cantar, termo utilizado por Cecília, essa canção além de ser uma evasão de sentimentos é, também, uma elevação para o espírito, pois o deixa, de alguma forma, mais tranquilo.


Bom, gente, é isso. É óbvio que há muito mais para analisar e há diversas perspectivas a respeito de uma mesma coisa, mas essa foi a minha e foi até onde consegui chegar (por hoje).

Deixo abaixo o vídeo de Fagner que musicou, em 1978, este poema de Cecília. A canção se chama "Eu Canto". Espero que gostem. Desfrutem! ^^


09/09/2016

Vidas Secas- Graciliano Ramos


"Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.
O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.


O livro começa com a fuga de Fabiano e a família: sinha Vitória, a esposa, e dois filhos, que são nomeados como Filho mais Velho e Filho mais Novo e a cachorra Baleia. Eles fogem da seca, procuram um lugar para viver até que encontram uma fazenda aparentemente abandonada e resolvem abrigar-se lá. Mas, quando o período da seca passa e a chuva molha a terra rachada, o dono volta e requer o que é seu, porém, como haviam cuidado de tudo, ele permite que fiquem ali como trabalhadores.
O livro é narrado em discurso direto livre (terceira pessoa do singular) e dedica um capítulo a cada um dos personagens, inclusive à cachorra Baleia que tem um destaque e atenção muito especiais. Ela é tratada como gente, realmente como um integrante da família do vaqueiro Fabiano, enquanto os humanos são animalizados. O narrador se aproxima tanto dos personagens que às vezes fica difícil distinguir quem está falando ou pensando, se o personagem ou o narrador. Ele atua, nesse caso, como um intérprete, fundindo sua percepção de mundo com a dos personagens, principalmente no capítulo da cachorra Baleia.
Imagem retirada da internet
Outro aspecto interessante é que mesmo Fabiano sendo branco, inclusive ruivo de olhos azuis (o autor sempre faz questão de destacar suas características desmistificando, assim, a concepção de que o povo pobre é negro ou pardo, e isso causa também uma sensação de verossimilhança, pois o Sertão não recebia exportação negreira, ou seja, o povo sertanejo não era negro em sua totalidade), sempre chama seu patrão de “branco” e se coloca em uma posição inferior, se comparando o tempo todo com um animal. Ele nunca é um homem; sempre se diz “o cabra”, ou seja, um sujeito qualquer, sem direito a ser nomeado, inferior e submisso aos demais, principalmente àqueles que têm estudo, pois naquela época, 1938, nem todos tinham acesso à educação, e aqueles que tinham eram considerados superiores, os donos, os senhores e, portanto, eram respeitados e detinham o poder sob os demais.


"E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra."


"Homem bom, seu Tomás da bolandeira, homem aprendido. Cada qual como Deus o fez. Ele, Fabiano, era aquilo mesmo, um bruto."

Há um capítulo também, que quis destacar, que é o mais diferente, é o capítulo 7, pois o que dá medo a Fabiano e a família já não é mais a seca e sim a chuva. Ou seja, estão tão acostumados à sequidão que a chuva os assusta.
Outro aspecto que creio que valha a pena destacar é a estrutura do livro. Ele é construído de tal forma que nos dá a impressão de que é desmontável, pois os fatos não obedecem uma ordem cronológica, não fica claro o que aconteceu antes ou depois, que capítulo vem antes e qual o seguinte, não há uma conexão para que um dependa do outro e as ações não são contínuas, só sabemos que existe uma passagem do tempo por causa das estações. E se observarmos bem, percebemos que ele é circular, pois, por exemplo, o capítulo intitulado “Cadeia”, que fala do soldado amarelo, é o terceiro capítulo do livro, assim como o capítulo 11, intitulado “Soldado Amarelo”, é também o terceiro de trás pra frente.
Imagem retirada da internet.
A cor azul é qualificada pelo narrador como terrível, pois, para o povo do Sertão, o azul do céu indica que não há chuva e por isso mesmo, o narrador caracteriza o céu como uma tampa, como algo opressivo.
Outro destaque que quis fazer é a precariedade da comunicação entre os personagens. Assim como a seca climática que eles enfrentam, há também a seca de diálogo. É um livro lindo desde o ponto de vista estético e que vale muito a pena ler, além de ser um nacional.
O que faz Vidas Secas ser um livro atual é a problemática que ele aborda, que é uma questão de humanidade, a seca. E mesmo que as coisas tenham melhorado no Sertão, só por ele dar esse espaço para o tema, por dar espaço para as pessoas que passaram e passam por isso, ele se torna um livro com um valor atual.


Classificação:

Autor: Graciliano Ramos
Páginas: 176
Ano: 2003 (mas a primeira publicação foi em 1938)

Gênero: Romance
Design por Amanda Hauane

Cabeçalho por Edu dos Anjos

Tema Base por Butlariz