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06/04/2016

Ratos- Gordon Reece

Sinopse: 
Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

Começarei esta resenha com "UAU!". Gente, que livro! 
O livro é narrado em primeira pessoa, por Shelley, de 15 anos. Ela e a mãe Elizabeth vivem uma vida de medo e temor e por conta do bullying que a menina sofria constantemente na escola, elas decidem se mudar para uma casa no campo, longe de tudo e de todos, como ratos escondidos em uma toca.
"...a mansa submissão é tudo o que os ratos conhecem."
Separada do marido, Elizabeth enfim volta a trabalhar em um escritório de advocacia mas, apesar de ser formada na mesma área, ela se submete a um cargo miserável de secretária, onde é explorada e tem que resolver os casos que os advogados, donos do escritório, não conseguem. 

A escrita de Reece é fluída e envolvente, e os capítulos são bem curtos. Nos momentos  em que Shelley fala sobre seu sofrimento e maus-tratos nas mãos de suas ex-melhores amigas Teresa Watson, Emma Townley e Jane Ireson, que formavam, juntamente com Shelley, o clube "As JETS" (criado a partir das letras iniciais de seus primeiros nomes), o leitor fica sem ar. É muito agoniante e desconcertante e quando finalmente ela está livre também podemos respirar aliviados. Mas é um alívio momentâneo porque logo algo acontece e tira esse sentimento de tranquilidade.

"Quando um gato invade a toca de um rato, ele não vai embora sem fazer mal nenhum. Eu sabia como aquela história terminaria. Ele me estupraria. Ele estupraria minha mãe. E nos mataria."
É nesse momento que algo surpreendente acontece. Porque:
"...todos temos um limite — até mesmo os ratos — e quando ele é ultrapassado, algo é transformado dentro de nós."
 Não vou escrever a cerca do que aconteceu porque vou acabar dando spoiler, a sinopse já deixa pistas suficientes, ou até mesmo a resposta, mas confesso que me surpreendi com o sentimento que invade a garota e a mãe, mas principalmente Shelley. É como se ela se descobrisse, como se a primitividade que estava adormecida em algum lugar de seu corpo, despertasse e, de repente, ela começa a questionar a respeito de valores que acreditava, que a sociedade coloca como verdade. Não dá para sentir repulsa pelo o que as duas fazem, mas compreensão poque nos é posto todo um contexto pra analisarmos e para justificar os atos de Shelley e sua mãe.
"...não somos o que nossos caracteres determinam, somos nossas ações."
 Finalizando, posso dizer que o livro termina numa tranquilidade e depois de tanto tempo de sufoco, de "cadê meu chão?", o leitor se vê novamente envolto por uma paz e uma serenidade desconcertantes. Enfim, é isso, recomendo o livro pra quem gosta de drama, suspense. Boa leitura!

Classificação:
Autor: Gordon Reece
Editora: Intrínseca
Ano: 2011
Páginas: 240





Foto do blog "Paixão Literária".
Mais sobre o livro: Ele é de brochura com orelha, tem folhas amareladas e esse detalhe lindo na capa que forma, realmente, uma toca de ratos.

2 comentários:

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